Pelo menos 32 mineiros artesanais morreram no último sábado, dia 15 de novembro de 2025, na província de Lualaba, sul da República Democrática do Congo (RDC), após o colapso de uma mina de cobalto explorada de forma ilegal. A tragédia ocorreu numa área próxima a Kalando, quando uma ponte que atravessava um trecho inundado e delimitava o local da mina desabou. As autoridades locais, que já haviam proibido o acesso à área devido às fortes chuvas e ao risco de deslizamentos, confirmaram a recuperação dos corpos e o prosseguimento das operações de busca. O incidente lança novamente o alerta sobre a mineração ilegal e as condições de trabalho perigosas no setor extrativo do país.
O Desastre na Região de Kalando

O colapso da mina foi comunicado no domingo (16 de novembro) pelo Governo provincial, através do Ministro do Interior de Lualaba, Roy Kaumba Mayonde. A situação crítica da mina, que explora um dos minérios mais valiosos do mundo, era conhecida pelas autoridades.
Detalhes do Incidente e das Vítimas
O Ministro Kaumba Mayonde indicou à imprensa que foram resgatados 32 corpos após a queda da estrutura. O local da mina estava sob risco devido à instabilidade do solo, agravada pelo período de fortes chuvas, que causou inundações.
- Vítimas: Pelo menos 32 mineiros artesanais (garimpeiros).
- Causa Direta: Colapso da mina após a queda de uma ponte numa área alagada.
- Localização: Mina de cobalto na região de Kalando, província de Lualaba.
- Estado Atual: As operações de busca e resgate continuam no local para verificar a existência de mais vítimas.
O incidente sublinha a vulnerabilidade dos trabalhadores que se dedicam à mineração ilegal, forçados pela pobreza a arriscar a vida em túneis instáveis e sem qualquer tipo de proteção ou regulamentação.
O Contexto da Mineração Ilegal
A RDC é um dos países mais ricos em recursos minerais, sendo o cobalto o seu principal ativo. Este metal é vital para a economia global, pois é utilizado na produção de baterias de iões de lítio que alimentam veículos elétricos e dispositivos eletrónicos.
RDC: O Centro Global do Cobalto
A República Democrática do Congo é responsável por mais de 70% da produção mundial de cobalto. Embora a maior parte deste minério seja extraída por gigantescas minas industriais, as estimativas apontam que mais de 200.000 pessoas trabalham como garimpeiros em locais ilegais ou artesanais, segundo a Agence France-Presse (AFP).
“A exploração artesanal é um flagelo social e de segurança. A atração pelo cobalto, impulsionada pela procura tecnológica global, leva milhares de pessoas a arriscarem a vida em condições que seriam inaceitáveis em qualquer setor formal,” afirmam analistas económicos com foco na região do Copperbelt.
O Risco Regional
Este tipo de acidente não é isolado na região. A mineração ilegal de minerais valiosos tem provocado tragédias em toda a África Central e Austral. Em junho, foram reportadas mortes em desabamentos de minas de ouro artesanais na própria RDC. O problema da mineração ilegal também é evidente em países vizinhos, como a África do Sul, onde milhares de mineiros, conhecidos como “zama zamas”, trabalham em minas abandonadas, muitas vezes controlados por grupos criminosos e expostos a acidentes e violência. Esta é uma crise regional de segurança e humanitária.
Consequências e Apelo à Regulação
O trágico balanço na província de Lualaba levanta sérias questões sobre a capacidade do governo congolês de fiscalizar e regular a mineração ilegal em larga escala, bem como de oferecer alternativas económicas às populações mais vulneráveis.
As organizações de direitos humanos e agências da ONU, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), têm repetidamente apelado a um reforço da segurança, com particular foco na eliminação do trabalho infantil e na garantia de condições de trabalho dignas no setor mineiro artesanal.
Conclusão Jornalística
A morte de mais de 32 mineiros na RDC é um trágico lembrete do custo humano da mineração ilegal impulsionada pela procura global por cobalto. O caminho para evitar futuras catástrofes passa necessariamente por uma intervenção governamental que combine a fiscalização rigorosa das zonas de risco e o investimento em programas de formalização da mineração artesanal. Enquanto a pobreza e a falta de oportunidades persistirem, milhares de garimpeiros continuarão a ignorar as proibições oficiais, arriscando a vida em busca de sustento nos perigosos poços de cobalto.
FAQ – Perguntas Frequentes sobre a Mineração Ilegal no Cobalto
1. Onde ocorreu o acidente fatal na RDC? O acidente ocorreu numa mina de cobalto na região de Kalando, província de Lualaba, no sul da República Democrática do Congo (RDC).
2. O que é o cobalto e qual a sua importância? O cobalto é um metal essencial usado na fabricação de baterias de iões de lítio, que alimentam carros elétricos e dispositivos eletrónicos modernos, sendo a RDC o maior produtor mundial.
3. Por que a mina era considerada perigosa? Segundo o Ministro provincial, o acesso ao local estava proibido devido à instabilidade do solo, acentuada pelas fortes chuvas e pelo risco elevado de deslizamento e desabamento.
4. Quantas pessoas trabalham na mineração artesanal na RDC? Estima-se que mais de 200.000 pessoas na RDC trabalhem como garimpeiros, muitas vezes em condições de mineração ilegal e extremamente perigosas.
5. Qual a diferença entre mineração industrial e artesanal? A mineração industrial é feita por grandes empresas com maquinaria pesada e protocolos de segurança. A mineração artesanal ou ilegal (garimpo) é feita manualmente, sem equipamentos de segurança adequados e frequentemente em zonas proibidas ou instáveis.
6. Como a pobreza impulsiona a mineração ilegal? A falta de oportunidades de emprego e a pobreza extrema levam as populações locais, incluindo jovens, a arriscarem a vida na mineração ilegal como meio de subsistência, apesar dos riscos conhecidos.
7. Quais são as ações que podem prevenir futuros acidentes? As ações preventivas incluem a fiscalização e encerramento de locais perigosos, a formalização e regulamentação do setor artesanal para garantir a segurança, e o investimento em alternativas económicas para as comunidades mineiras.







