Dois cidadãos nacionais, com idades entre 25 e 45 anos, perderam a vida e outras quatro pessoas ficaram feridas na sexta-feira, 14 de Novembro, em consequência de uma Explosão de Engenho no Bié, na cidade do Cuito. O sinistro, ocorrido no bairro Piloto, reforça o alerta sobre o perigo persistente dos resíduos de guerra em Angola.

O incidente fatal aconteceu no interior de uma casa de pesagem e venda de material ferroso (sucata), um local de trabalho habitual. Segundo o relato de Cristiano Adão, proprietário da oficina, a detonação deu-se no momento em que um dos seus funcionários pegou num saco que continha o objeto explosivo e o arremessou ao chão. O impacto inesperado causou a Explosão de Engenho no Bié, resultando em duas vítimas mortais imediatas e quatro feridos, conforme noticiado pela ANGOP.
A Dinâmica do Acidente e as Vítimas
Os seis cidadãos foram prontamente socorridos e transportados para o Hospital Walter Strangway, na província. O chefe de turno da unidade sanitária, João Capitia, informou que duas das vítimas lesionadas já receberam alta médica por apresentarem melhorias significativas. Os outros dois feridos, incluindo o proprietário Cristiano Adão, permanecem internados, mas o quadro clínico é considerado estável, com previsão de alta nas horas seguintes.
O Risco Oculto do Material Ferroso
O facto de a explosão ter ocorrido numa casa de venda de sucata no Cuito evidencia um dos riscos mais críticos da herança da guerra civil: a circulação de engenhos explosivos não detonados (UXO) misturados com o material ferroso comum. Muitas comunidades locais, procurando formas de subsistência, recolhem metal em zonas rurais, inadvertidamente, transportando material bélico que se torna letal ao ser manuseado.
Bié e a Chaga das Minas Não Detonadas
A província do Bié é historicamente uma das mais fustigadas pela guerra civil angolana, que se estendeu por 27 anos. A Explosão de Engenho no Bié insere-se num quadro mais vasto de acidentes recorrentes que têm vitimado civis.
Angola, subscritora da Convenção de Ottawa, que visa a proibição do uso, armazenamento, produção e transferência de minas antipessoal, é considerada pelo Landmine Monitor como um dos países com maior área contaminada por minas terrestres. O remanescente de mais de quatro décadas de conflitos armados mantém áreas que representam perigo para a população civil, sobretudo para crianças e adultos que vivem da agricultura ou da recolha de sucata.
O Esforço de Desminagem e os Desafios
Desde o fim do conflito, o país tem feito um esforço considerável de desminagem, com mais de 1,3 milhões de minas destruídas. No entanto, o processo enfrenta grandes desafios, principalmente financeiros.
A Agência Nacional de Acção Contra as Minas (ANAM) estimou, recentemente, que são necessários centenas de milhões de dólares para limpar os restantes campos minados. A meta original de declarar Angola livre de minas até 2025 (compromisso assumido em 2014) foi protelada, e o prazo para a conclusão do programa de desminagem humanitária é agora ponderado para o ano de 2030, conforme noticiaram entidades internacionais [https://www.voaportugues.com/a/desminagem-em-angola-atrasada-/7306694.html]. O adiamento deve-se à dimensão do território, à complexidade dos campos minados e à dificuldade em obter o financiamento necessário.
Conclusão: A Necessidade de Reforçar a Educação de Risco
A trágica Explosão de Engenho no Bié demonstra a urgência de o Governo Angolano e as organizações internacionais reforçarem as campanhas de educação sobre o risco de minas e UXO, especialmente em comunidades que interagem com material ferroso para sustento.
O próximo passo imediato das autoridades, além da assistência aos feridos, será a investigação do tipo de engenho explosivo encontrado e a delimitação e limpeza da área circundante ao bairro Piloto, no Cuito, para prevenir futuras fatalidades. O objetivo final, partilhado com a Organização das Nações Unidas (ONU), é garantir que nenhuma nova vida seja perdida devido aos resíduos de um passado de guerra.
❓ FAQ – Perguntas Frequentes sobre Engenhos Explosivos
1. O que são Engenhos Explosivos Não Detonados (UXO)?
UXO (do inglês Unexploded Ordnance) são munições, bombas ou minas que foram disparadas, lançadas ou atiradas, mas que não explodiram no impacto, permanecendo ativos e perigosos no solo.
2. Qual a causa principal da presença destes engenhos no Bié?
A principal causa é a herança da guerra civil angolana, que durou quase três décadas (1975-2002), deixando um vasto número de minas e outros materiais bélicos não detonados.
3. Quantas pessoas morreram neste último incidente no Cuito?
Neste incidente, ocorrido numa casa de sucata no Cuito, duas pessoas perderam a vida e quatro ficaram feridas.
4. Qual foi a dinâmica que levou à explosão do engenho?
A explosão ocorreu após um funcionário pegar num saco que continha o engenho explosivo e arremessá-lo ao chão, provocando a sua detonação.
5. Angola é um país livre de minas?
Não. Embora grandes progressos tenham sido feitos (mais de 1,3 milhão de minas destruídas), Angola ainda é classificada entre os países com a maior área contaminada, com a meta de desminagem adiada para cerca de 2030.
6. Qual é a convenção internacional que rege a proibição de minas?
Angola é signatária da Convenção de Ottawa (1997), que visa a proibição e destruição de minas antipessoal.
7. Por que as casas de sucata representam um risco especial?
As casas de sucata e os trabalhadores do metal correm um risco elevado porque o material explosivo não detonado (UXO) é frequentemente confundido ou misturado com o metal comum (sucata) recolhido das áreas rurais contaminadas.







