A Administração Geral Tributária (AGT) realizou um encontro na passada sexta-feira (a data exata é omitida, mas o contexto indica um evento recente) com empresários em Luanda com o objetivo de ouvir as preocupações do setor privado e encontrar soluções para acelerar o processo de devolução de créditos fiscais, nomeadamente o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). A iniciativa, liderada por quadros superiores da AGT, visa melhorar a relação entre o fisco e o contribuinte, reforçando a confiança empresarial e injetando liquidez nas empresas angolanas, o que é crucial para o crescimento económico.

O Propósito do Encontro e a Questão dos Créditos Fiscais
A reunião entre a AGT e o setor privado é um reconhecimento da importância de resolver o problema da demora na devolução de créditos fiscais, um fator de estrangulamento para a tesouraria de muitas empresas.
O Desafio da Devolução do IVA
A devolução de créditos fiscais, particularmente o IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado), tem sido um dos principais pontos de fricção entre a AGT e os empresários. A demora neste processo impacta diretamente o capital de giro das empresas, limitando a sua capacidade de investimento e, em alguns casos, comprometendo a sua sobrevivência.
A lei do IVA prevê a possibilidade de devolução aos contribuintes (principalmente exportadores e empresas com isenções) que acumulam IVA suportado superior ao IVA liquidado. O encontro em Luanda serviu para que os empresários pudessem expor diretamente à administração as ineficiências e os obstáculos burocráticos que atrasam o processo.
A AGT em Posição de Escuta Ativa
A iniciativa da AGT demonstra um esforço institucional para atuar com maior transparência e eficiência. Ao “auscultar” os empresários, a administração tributária sinaliza a vontade de reformar os seus procedimentos internos e de implementar medidas que simplifiquem os requisitos e acelerem o reembolso, contribuindo para a confiança empresarial.
Contexto Económico e Implicações da Liquidez
A celeridade na devolução de créditos fiscais é um fator macroeconómico relevante, com impactos diretos na liquidez do mercado e na capacidade de investimento privado.
O Impacto na Economia Angolana
Em ambientes económicos desafiadores, como o de Angola, onde as taxas de juro são elevadas e o acesso ao crédito bancário é restrito, a devolução de créditos fiscais atua como uma injeção de liquidez crucial. A retenção prolongada destes fundos pelo Estado é vista por economistas como um entrave ao desenvolvimento, pois impede as empresas de usarem os seus próprios capitais para:
- Investimento: Compra de novos equipamentos ou expansão da produção.
- Capital de Giro: Pagamento de fornecedores e salários (reduzindo o risco de insolvência).
- Diversificação: Financiamento de novos projetos que visam a diversificação económica.
A aceleração da devolução pode, portanto, estimular a produção nacional e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Getty Images
Comparação com Tendências Globais
A questão da devolução de créditos fiscais e do IVA é um desafio comum em muitos países, mas a urgência em Angola é sublinhada pela necessidade de reconstruir a confiança empresarial após anos de dependência excessiva do petróleo e de burocracia complexa. A tendência global da boa governação fiscal aponta para sistemas de reembolso automatizados e rápidos, utilizando a digitalização para validar faturas e minimizar a intervenção humana, reduzindo o risco de corrupção e aceleração da devolução.
Conclusão e Próximos Passos da AGT
O encontro em Luanda é um primeiro passo na construção de um roteiro de melhoria na devolução de créditos fiscais. A AGT tem agora o desafio de traduzir as preocupações ouvidas em medidas concretas e eficazes.
Os próximos passos da Administração Geral Tributária deverão incluir a digitalização e simplificação dos formulários e processos de requerimento, a definição de prazos mais curtos e transparentes para a análise e o pagamento dos valores devidos. O sucesso desta iniciativa será medido pela perceção dos empresários sobre a celeridade dos processos e pelo impacto positivo na confiança empresarial e no ambiente de negócios em Angola.
❓ Perguntas Frequentes (FAQ) sobre Créditos Fiscais e a AGT
| Pergunta | Resposta |
| 1. O que são créditos fiscais no contexto do IVA? | São montantes de IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) que as empresas pagaram nas suas compras (IVA Suportado) e que são superiores ao IVA que cobraram nas suas vendas (IVA Liquidado), gerando um crédito a ser reembolsado pelo Estado. |
| 2. Qual é a principal crítica dos empresários à AGT? | A principal crítica é a demora e a burocracia excessiva no processo de devolução de créditos fiscais, que prejudica a liquidez das empresas. |
| 3. O que significa “auscultar empresários”? | Significa ouvir as preocupações e sugestões dos representantes do setor privado num diálogo direto, com o objetivo de melhorar os serviços públicos. |
| 4. Como é que a aceleração da devolução de créditos fiscais ajuda a economia? | Acelerar a devolução injeta liquidez nas empresas, permitindo-lhes investir, pagar fornecedores e salários, e apoiar a diversificação económica do país. |
| 5. Qual é o papel da confiança empresarial neste processo? | A confiança empresarial aumenta quando o Estado demonstra ser previsível e eficiente, honrando os seus compromissos, o que incentiva o investimento e o crescimento. |
| 6. Que medidas concretas a AGT pode tomar para melhorar o processo? | A AGT pode simplificar a documentação, digitalizar o processo de submissão e análise, e estabelecer prazos rigorosos e transparentes para o reembolso. |
| 7. O IVA é o único imposto abrangido pela devolução de créditos fiscais? | Não. Existem outros impostos com mecanismos de crédito, mas o IVA representa a maior parte dos créditos fiscais a serem devolvidos no contexto do comércio. |







