A Autoridade Aduaneira de Angola, sob a égide da Administração Geral Tributária (AGT), confirmou que está a conduzir uma investigação rigorosa a dez grandes importadores do país por suspeitas de fraude fiscal e outras irregularidades alfandegárias. A ação, que faz parte de um esforço contínuo para o combate à fraude fiscal e o aumento da receita do Estado, teve início recentemente (a data precisa não foi especificada) em Luanda e noutras províncias portuárias, visando fiscalizar e responsabilizar empresas que alegadamente subfaturam mercadorias ou utilizam esquemas complexos para escapar ao pagamento integral de direitos e impostos aduaneiros.

O Alvo da Investigação e as Irregularidades Aduaneiras
A investigação da Autoridade Aduaneira incide sobre grandes operadores económicos com elevado volume de negócios, cuja atividade de importação representa uma fatia considerável das transações internacionais do país.
Os Dez Maiores Importadores sob Suspeita
A AGT não divulgou as identidades das dez grandes empresas importadoras envolvidas, mantendo a confidencialidade do processo. No entanto, o foco em grandes operadores sugere que o potencial impacto da fraude fiscal descoberta pode ser significativo para as finanças públicas.
As irregularidades mais comuns sob escrutínio incluem:
- Subfaturação: Declaração de valores de mercadorias inferiores ao real, com o objetivo de pagar menos Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e direitos aduaneiros.
- Falsa Classificação Pautal: Declaração incorreta da natureza das mercadorias para se beneficiar de taxas aduaneiras mais baixas ou isenções.
- Declaração Falsa de Origem: Utilização fraudulenta de regras de origem para evitar taxas preferenciais ou impostos anti-dumping.
O Papel da Autoridade Aduaneira na Combate à Fraude
A Autoridade Aduaneira desempenha um papel crucial na proteção da economia nacional. O combate à fraude fiscal não se limita apenas à recuperação de receitas perdidas, mas também visa garantir a concorrência leal entre as empresas, penalizando aquelas que obtêm vantagens indevidas através de práticas ilícitas. A atuação neste caso demonstra o reforço dos mecanismos de controlo e fiscalização da AGT.
Contexto Económico e a Luta contra a Fraude Fiscal
A perda de receitas devido à fraude fiscal aduaneira representa um desafio significativo para a estabilidade económica de Angola, um país que depende fortemente das importações para o consumo interno e de capital.
O Impacto da Fraude na Receita do Estado
Embora não haja dados oficiais recentes divulgados pela AGT sobre o montante da fraude fiscal na Autoridade Aduaneira, relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial sobre países em desenvolvimento apontam que as perdas anuais de receita aduaneira devido à subfaturação e contrabando podem ascender a milhares de milhões de Kwanzas.
Em Angola, onde o esforço de diversificação da economia é prioritário, cada Kwanza recuperado é essencial para o financiamento de projetos sociais e de infraestrutura. A investigação visa, portanto, aumentar a transparência e a conformidade no comércio internacional.
Medidas de Combate e Comparação Regional
Angola, à semelhança de outros países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), tem investido em sistemas de gestão aduaneira mais robustos e em tecnologias de fiscalização não intrusiva (como scanners). A cooperação internacional, nomeadamente com a Organização Mundial das Alfândegas (OMA), também é fundamental para detetar esquemas de fraude fiscal transfronteiriça. O aumento das investigações e a responsabilização de grandes importadores sinaliza uma política de tolerância zero para com crimes económicos.
Conclusão e Perspectivas de Transparência
A investigação em curso aos dez grandes importadores pela Autoridade Aduaneira angolana é um passo firme no reforço da integridade do sistema tributário e na luta contra a fraude fiscal. Se as suspeitas se confirmarem, as empresas enfrentarão pesadas multas e processos criminais.
Espera-se que esta ação resulte não só na recuperação de milhões de Kwanzas para o Estado, mas também no estabelecimento de um precedente de fiscalização que incentive uma maior conformidade entre todos os intervenientes do comércio internacional. O desfecho desta investigação será fundamental para demonstrar a eficácia das novas políticas de transparência e governação da AGT.
❓ Perguntas Frequentes (FAQ) sobre Fraude Aduaneira em Angola
| Pergunta | Resposta |
| 1. Quem está a conduzir a investigação aos importadores? | A investigação está a ser conduzida pela Autoridade Aduaneira de Angola, que faz parte da Administração Geral Tributária (AGT). |
| 2. O que significa “subfaturação” nas importações? | Subfaturação é a prática ilegal de declarar um valor inferior ao custo real das mercadorias importadas para pagar menos impostos e direitos aduaneiros. |
| 3. Quantas empresas estão a ser investigadas? | Dez grandes importadores estão sob escrutínio da Autoridade Aduaneira por suspeitas de irregularidades fiscais e alfandegárias. |
| 4. Qual é o principal objetivo desta investigação? | O principal objetivo é combater a fraude fiscal, recuperar receitas perdidas pelo Estado e garantir a conformidade e concorrência leal no comércio. |
| 5. Que lei regula estas ações de fiscalização em Angola? | Estas ações são reguladas pelo Código Aduaneiro e pelo Código Geral Tributário de Angola, que definem as penalidades para a fraude fiscal e contrabando. |
| 6. Por que a AGT se foca em “grandes importadores”? | O foco em grandes importadores ocorre porque as suas operações de elevado volume têm um impacto desproporcionalmente grande nas receitas fiscais do Estado. |
| 7. Quais são as possíveis consequências para as empresas culpadas de fraude fiscal? | As empresas podem ser sujeitas a pesadas multas que superam o valor dos impostos devidos e, em casos graves, os seus responsáveis podem enfrentar processos criminais. |







