Luanda – O volume total de financiamentos concedidos pela banca comercial angolana, especificamente em moeda nacional, registou um crescimento significativo no terceiro trimestre do ano corrente. De acordo com dados económicos recentes, o stock de Crédito à Economia em Kwanzas atingiu a cifra de 6,8 biliões até setembro de 2025. Este aumento reflete as políticas de fomento à produção interna e a contínua estratégia de desdolarização do crédito bancário no país.

Crescimento do Financiamento em Moeda Local
É observado que o segmento de Crédito à Economia em moeda nacional tem vindo a ganhar preponderância no balanço dos bancos comerciais. O valor de 6,8 biliões de Kwanzas representa uma consolidação da confiança na moeda local para operações de médio e longo prazo, essenciais para o investimento no setor real.
Este comportamento é atribuído, em grande parte, às medidas regulatórias impostas pelo Banco Nacional de Angola (BNA), que têm incentivado a concessão de crédito para a produção de bens essenciais. A preferência pelo endividamento em moeda nacional protege as empresas das flutuações cambiais, um fator crítico para a sustentabilidade dos negócios na realidade angolana.
Impulso aos Sectores Produtivos
O aumento do stock de crédito não ocorre de forma isolada. Foi direcionado, predominantemente, para setores-chave identificados pelo Executivo angolano no âmbito da diversificação económica. Entre os beneficiários deste volume de Crédito à Economia, destacam-se:
- Agricultura e Pecuária: Financiamento para a aquisição de insumos e maquinaria.
- Indústria Transformadora: Capital para expansão de unidades fabris.
- Comércio e Distribuição: Apoio logístico para o escoamento da produção nacional.
Dados anteriores indicavam que o crédito ao setor real já vinha numa trajetória ascendente, impulsionado por iniciativas como o Aviso 10 do BNA e o apoio do Ministério da Economia e Planeamento.
Contexto Económico e Comparativo
Ao analisar-se o cenário macroeconómico, percebe-se que o Crédito à Economia em moeda estrangeira tem mantido uma tendência de estabilidade ou ligeira contração, em contraste com a moeda nacional. Esta divergência sinaliza uma mudança estrutural no mercado financeiro angolano, onde a exposição ao risco cambial é cada vez mais mitigada tanto pelos bancos quanto pelos mutuários.
Além disso, é importante notar que o aumento do stock de crédito ocorre num ambiente onde as taxas de juro (Luibor) continuam a ser um ponto de atenção para os empresários. Contudo, a disponibilidade de liquidez em Kwanzas demonstra que o sistema financeiro mantém a capacidade de suportar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não petrolífero.
“O fortalecimento do crédito em moeda nacional é um pilar fundamental para a soberania económica, reduzindo a dependência externa e fomentando a cadeia de valor local.” — Análise de Mercado (Contexto Geral).
Perspetivas Futuras
Com o stock de Crédito à Economia fixado em 6,8 biliões de Kwanzas até ao fecho de setembro, as previsões apontam para uma manutenção do ritmo de crescimento até ao final de 2025. Especialistas sugerem que, caso a inflação se mantenha controlada, haverá espaço para uma maior flexibilização das condições de acesso ao financiamento, permitindo que mais Pequenas e Médias Empresas (PMEs) integrem o sistema bancário formal.
A monitorização destes indicadores será crucial para avaliar a eficácia das políticas monetárias em curso e o seu impacto real na criação de emprego e no aumento da oferta de bens “Feito em Angola”.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que significa “Stock de Crédito à Economia”? Refere-se ao saldo total acumulado de todos os empréstimos concedidos pelos bancos às empresas e famílias num determinado momento. Não é apenas o que foi emprestado no mês, mas a soma de toda a dívida ativa.
2. Por que o crédito em moeda nacional é preferível ao crédito em moeda estrangeira? Para quem toma o empréstimo em Angola, o crédito em moeda nacional (Kwanza) elimina o risco cambial. Se o Kwanza desvalorizar, a dívida não aumenta automaticamente, ao contrário do que acontece com empréstimos em Dólares ou Euros.
3. Quais setores mais beneficiam deste crédito? Geralmente, o setor real da economia, que inclui a agricultura, pecuária, pescas e indústria transformadora, é o principal alvo das políticas de incentivo ao crédito em Angola.
4. Como este aumento impacta o cidadão comum? O aumento do crédito às empresas tende a gerar mais investimento, o que pode resultar na criação de novos postos de trabalho e no aumento da oferta de produtos nacionais, ajudando a estabilizar os preços.
5. O valor de 6,8 biliões refere-se a quanto em Dólares? O valor em dólares depende da taxa de câmbio oficial do dia. No entanto, para a economia interna, o valor nominal em Kwanzas é o indicador mais relevante para medir a liquidez local.
6. As taxas de juro influenciam este número? Sim. Taxas de juro mais atrativas ou bonificadas (como as do Aviso 10 do BNA) incentivam os empresários a solicitar mais crédito, aumentando o stock total.
7. Este crescimento é sustentável? A sustentabilidade depende da capacidade das empresas de pagarem as dívidas (redução do crédito malparado) e da estabilidade macroeconómica do país. O crescimento atual indica uma dinâmica positiva.







