Angola oficializou, este domingo, um marco significativo para o agronegócio nacional ao realizar o primeiro envio de mais de 10 toneladas de abacates para os Países Baixos. A fruta, produzida na província do Huambo, foi escoada através do estratégico Corredor do Lobito, sinalizando uma nova era para a diversificação económica e para a logística de exportação do país. A operação marca também a transição tecnológica nos processos de certificação fitossanitária angolanos.

O Avanço da Exportação de Abacate Angolano
A operação logística envolveu o transporte de uma carga superior a 10 toneladas de abacates de alta qualidade, cultivados nas terras férteis do Planalto Central. Este movimento insere-se nos esforços contínuos do Executivo e do setor privado para posicionar os produtos nacionais no exigente mercado europeu.
Segundo informações veiculadas pela TPA, Ribeiro João, engenheiro ligado ao Ministério da Agricultura e Florestas, confirmou que foram asseguradas todas as condições técnicas de acomodação e transporte. O objetivo central é garantir que a exportação de abacate chegue ao destino final preservando a frescura e as propriedades organolépticas exigidas pelos consumidores internacionais.
Logística e o Corredor do Lobito
A escolha do Corredor do Lobito para o escoamento desta produção não é ocasional. Esta infraestrutura ferroviária e portuária tem-se revelado um eixo fundamental para ligar as zonas de produção do interior, como o Huambo, aos mercados globais.
A eficiência logística é um fator determinante para a competitividade da exportação de abacate, visto que se trata de um produto perecível. A utilização deste corredor permite reduzir tempos de trânsito e custos operacionais, tornando o produto angolano mais competitivo face a outros produtores globais, como o Peru ou o México.
“Foram criadas todas as condições de acomodação e transporte para que o produto chegue ao destino com a maior segurança,” afirmou Ribeiro João.
Modernização: Do Papel para o Digital
Um dos aspetos mais relevantes desta operação reside na modernização administrativa. Este carregamento simboliza um ponto de viragem no quadro da tramitação burocrática do país, marcando a passagem da emissão de certificados fitossanitários impressos para a certificação eletrónica (ePhyto).
Esta mudança traz diversos benefícios para a exportação de abacate e outros bens agrícolas:
- Celeridade: Redução do tempo de espera nos portos.
- Segurança: Diminuição de riscos de fraude documental.
- Rastreabilidade: Maior controlo sobre a origem e qualidade do produto.
A adoção deste sistema alinha Angola com as normas da Convenção Internacional para a Proteção dos Vegetais (IPPC), facilitando a entrada de produtos angolanos em mercados com regulação rígida, como a União Europeia.
Contexto Económico e Diversificação
A aposta na fruticultura surge num momento em que Angola procura reduzir a sua dependência histórica do setor petrolífero. O abacate, frequentemente apelidado de “ouro verde” devido à sua alta procura global e valor de mercado, apresenta-se como uma commodity agrícola com alto potencial de retorno financeiro.
Dados recentes indicam que o consumo de abacate na Europa continua a crescer anualmente. Ao entrar neste mercado através dos Países Baixos, que funciona como um dos principais centros de redistribuição de alimentos na Europa, Angola abre portas para expandir a sua exportação de abacate para outros países do bloco comunitário.
Para saber mais sobre as iniciativas de apoio à produção nacional, pode consultar o portal do PRODESI (Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações).
Conclusão
O envio deste carregamento inaugural para os Países Baixos estabelece um precedente positivo para a agricultura angolana. Especialistas do setor preveem que o sucesso desta operação poderá incentivar outros produtores do Huambo e de outras províncias a investirem na qualidade e na certificação das suas colheitas. A consolidação da exportação de abacate dependerá, doravante, da regularidade da oferta, da manutenção dos padrões de qualidade e da contínua modernização das infraestruturas logísticas do Corredor do Lobito.
❓ Perguntas Frequentes (FAQ)
1. De onde são originários os abacates exportados? Os abacates foram produzidos na província do Huambo, localizada no Planalto Central de Angola, uma região conhecida pelas suas condições edafoclimáticas favoráveis à agricultura.
2. Qual é o destino deste primeiro carregamento? A carga tem como destino os Países Baixos (Holanda), que é uma das principais portas de entrada para produtos agrícolas no mercado europeu.
3. Qual a quantidade de abacate exportada nesta operação? Foram exportadas mais de 10 toneladas de abacate neste primeiro envio oficial reportado.
4. Qual a importância do Corredor do Lobito nesta operação? O Corredor do Lobito serviu como a rota logística para transportar a produção do interior até ao porto, garantindo rapidez e eficiência no escoamento para a exportação de abacate.
5. O que mudou na certificação dos produtos? Houve uma transição da certificação impressa para a certificação eletrónica (fitossanitária), aumentando a segurança, transparência e agilidade no processo de exportação.
6. Quem é a entidade responsável pela fiscalização? O Ministério da Agricultura e Florestas, através dos seus departamentos técnicos, é responsável por assegurar que os produtos cumprem os requisitos fitossanitários internacionais.
7. Por que o abacate é considerado estratégico para Angola? Devido à alta procura mundial e ao seu valor comercial, o abacate é um produto chave para a estratégia de diversificação da economia angolana e captação de divisas fora do setor petrolífero.







