Uma jovem de 17 anos, vendedora ambulante em Luanda, com dívida de 500 mil kwanzas, tirou a própria vida na manhã de terça-feira (02) no bairro Petrangol, município do Hoji-Ya-Henda. A vítima, natural de Benguela, deixou carta à família afirmando não suportar mais as cobranças dos credores. O caso está sob investigação da polícia local.

Dívida, desespero e tragédia
Conforme relato divulgado, a adolescente havia contraído uma dívida de 500 mil Kz para sustentar-se através do comércio informal, trabalhando como “zungueira”. Com a incapacidade de pagar o valor e a pressão diária imposta pelos credores, ela sentiu não haver saída. Em carta deixada antes do ato, disse não ter forças para continuar. Desesperada, enforcou-se na casa onde vivia.
Inquérito policial e busca por explicações
As autoridades da investigação criminal do município de Hoji-Ya-Henda assumiram o caso, com o objetivo de apurar as circunstâncias da morte e responsabilizar eventuais envolvidos. Até o momento, não há informação pública sobre cúmplices ou interferências externas, a investigação foca em verificar se houve coação ou crime contra a jovem.
Contexto alarmante: saúde mental e vulnerabilidade social em Luanda
Dados recentes do Programa Provincial de Saúde Mental e Abuso de Substâncias (PPSMASS) apontam que, apenas no primeiro semestre de 2025, Luanda registrou cerca de 26 mil casos de transtornos mentais e 124 tentativas de suicídio.
Especialistas lembram que a combinação entre pobreza, dívida e precariedade do comércio informal, como ocorre com muitas “zungueiras” aumenta o risco de sofrimento psicológico. Pesquisa global já demonstrou associação entre pobreza e suicídio em países de baixa e média renda.
A necessidade de respostas sociais e políticas públicas
O trágico caso reforça alertas sobre a urgência de políticas de apoio financeiro, social e de saúde mental para jovens vulneráveis. Organismos de saúde defendem ampliação do acolhimento comunitário, oferta de apoio psicológico e programas de prevenção em bairros de maior vulnerabilidade.







