O país enfrenta uma situação alarmante, com a maioria dos diagnósticos feitos em fases avançadas, apesar dos recentes avanços na cirurgia robótica e das campanhas de rastreio intensificadas.
O Instituto Angolano de Controlo de Câncer (IACC) e o Ministério da Saúde (MINSA) confirmaram que Angola regista, anualmente, mais de mil novos casos de Cancro da Próstata em Angola, posicionando-o como a forma de cancro mais frequente entre a população masculina. Este facto, de acordo com dados oficiais, traduz-se numa média preocupante, com 646 mortes registadas por complicações da doença apenas no triénio de 2020 a 2022.

A gravidade da situação foi ainda mais evidenciada durante uma campanha nacional de rastreio em Agosto de 2024, que identificou 477 casos positivos do Antígeno Prostático Específico (PSA) em apenas uma semana, abrangendo províncias-chave como Luanda, Bengo, Cabinda e Huíla. A maioria dos pacientes, tipicamente homens acima dos 65 anos, é diagnosticada tardiamente, um desafio constante para a saúde pública angolana.
O Crescimento Alarmante da Incidência
A curva de incidência do Cancro da Próstata em Angola tem mostrado uma tendência ascendente, exigindo uma resposta de saúde robusta e coordenada. A Vice-Presidente da República já destacou a prevenção desta patologia como uma das prioridades do Executivo, face aos números crescentes de mortalidade.
O Rastreio e o Desafio da Consciencialização
O principal entrave no combate à doença é o diagnóstico precoce. O Cancro da Próstata é conhecido por evoluir de forma silenciosa, e os sintomas manifestam-se apenas quando o tumor se encontra em estado avançado.
Em Angola, esta situação é agravada pelo baixo nível de consciencialização da população e pelo preconceito que ainda afasta muitos homens dos consultórios de urologia. Embora o Hospital Geral de Cacuaco, em Luanda, atenda uma média diária de 300 homens em rastreios, o apelo da campanha Novembro Azul é que a prevenção se torne um compromisso contínuo e não apenas anual.
Para contextualizar, a Organização Mundial da Saúde (OMS) [https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cancer] lista o cancro da próstata entre os cinco tipos de cancro mais comuns a nível global, mas o impacto em países com sistemas de saúde menos robustos torna a taxa de mortalidade ajustada à idade em Angola particularmente elevada no ranking mundial.
Avanços Tecnológicos no Tratamento
Apesar dos desafios epidemiológicos, o país demonstrou um marco histórico no combate à doença. Em Agosto de 2024, Angola realizou a sua primeira cirurgia robótica para casos de Cancro da Próstata, um procedimento inovador na África Ocidental.
Esta cirurgia de alta complexidade foi conduzida por uma equipa coordenada pelo especialista norte-americano Dr. Vipul Patel, em parceria com o Governo Angolano. A introdução desta técnica cirúrgica, que oferece melhores resultados clínicos e uma recuperação mais rápida, marca um salto significativo na qualidade dos cuidados oncológicos disponíveis. A parceria visa ainda o aperfeiçoamento de médicos nacionais nos EUA.
Os Próximos Passos e a Resposta do Executivo
O futuro do combate ao Cancro da Próstata em Angola depende da expansão dos programas de rastreio e da ampliação da rede de assistência especializada. Os dados do IACC e do MINSA demonstram a necessidade urgente de mobilizar recursos para que mais centros de tratamento especializados sejam criados fora da capital, Luanda, reduzindo a deslocação dos pacientes e garantindo que o diagnóstico e o tratamento completo, que pode levar anos, sejam acessíveis a toda a população.
A continuidade da cooperação internacional, focada na transferência de tecnologia e conhecimento, como evidenciado pela cirurgia robótica, é vital para melhorar a taxa de sobrevivência e reverter a tendência de diagnósticos tardios que têm ceifado centenas de vidas anualmente no país.
❓ FAQ – Perguntas Frequentes sobre Cancro da Próstata em Angola
1. O que é o Antígeno Prostático Específico (PSA)?
O PSA é uma proteína produzida pela próstata. O exame de PSA mede o nível desta proteína no sangue e é uma das ferramentas mais comuns para o rastreio do cancro da próstata, embora níveis elevados possam também indicar outras condições benignas.
2. Com que idade os homens angolanos devem começar o rastreio?
Geralmente, o rastreio deve começar por volta dos 50 anos. Contudo, homens com histórico familiar da doença ou pertencentes a grupos de maior risco (como a maioria da população africana) devem começar a discutir o rastreio com um urologista a partir dos 40 ou 45 anos.
3. Quais são os sintomas mais comuns do cancro da próstata?
Na fase inicial, a doença é frequentemente assintomática. Na fase avançada, os sintomas podem incluir dificuldade e dor ao urinar, micção frequente (especialmente à noite), presença de sangue na urina ou sémen, e dor persistente nas costas, ancas ou pélvis.
4. Quantas mortes por cancro da próstata foram registadas recentemente?
O Instituto Angolano de Controlo de Câncer (IACC) registou 646 mortes por complicações com cancro da próstata no período de três anos, entre 2020 e 2022.
5. Angola já realiza cirurgias robóticas para esta doença?
Sim. Angola realizou a sua primeira cirurgia robótica para cancro da próstata em Agosto de 2024, um avanço que coloca o país na vanguarda do tratamento oncológico na África Ocidental.
6. Qual é a principal causa dos diagnósticos tardios em Angola?
A principal causa é a falta de consciencialização pública e o receio ou preconceito social que impede muitos homens de procurar consultas regulares de urologia para a realização de exames preventivos.
7. Onde estão concentrados os esforços de rastreio?
As campanhas de rastreio têm sido intensificadas em hospitais gerais em várias províncias, como Luanda (Cacuaco e Viana), Bengo, Cabinda e Huíla, mas a expansão da cobertura para todo o território continua a ser um objetivo central.







