Alerta de Saúde Pública: O Crescimento da Nomofobia e a Dependência de Celular na Juventude Angolana

A dependência de celular, cientificamente designada como Nomofobia (o medo irracional de ficar sem o dispositivo móvel), emerge como uma preocupação de saúde pública em Angola, seguindo uma tendência global acelerada pela digitalização. O fenómeno afeta sobretudo os jovens e manifesta-se através de sintomas de ansiedade, irritabilidade e isolamento social, impactando negativamente a saúde mental e o desempenho académico e profissional. Com mais de 11 milhões de subscritores de internet no país, o uso excessivo de smartphones representa um risco crescente, levando especialistas a alertar para a necessidade urgente de intervenção e educação digital.

Nomofobia: A Doença do Século XXI

A Nomofobia (abreviatura de no mobile phone phobia) é classificada como uma dependência comportamental, comparável a outras formas de vício. Ela surge da relação intensa e descontrolada com o smartphone, onde o aparelho deixa de ser uma ferramenta para se tornar uma extensão da própria identidade e fonte primária de recompensa.

Os Sinais de Alerta da Dependência

Os especialistas em psiquiatria e psicologia apontam que a linha que separa o uso normal do vício é marcada pela reação de abstinência e pela perda de controlo.

  • Ansiedade e Pânico: Sentir ansiedade, tremores, suor ou até ataques de pânico ao perceber que o telefone está sem bateria, sem rede ou esquecido em casa.
  • Isolamento Social: Preferir a interação online ou as redes sociais em detrimento do convívio social real, levando ao isolamento e à perda de relações interpessoais.
  • Baixa Produtividade: Interromper constantemente o trabalho ou os estudos para verificar notificações, resultando numa queda drástica na concentração e na produtividade.
  • Transtornos do Sono: Levar o telemóvel para a cama e utilizá-lo até tarde, afetando o ciclo de sono e contribuindo para problemas de insónia.

Impacto na Saúde Mental e Desenvolvimento

Estudos em vários países, incluindo pesquisas universitárias internacionais, estabeleceram uma ligação relevante entre o uso irrestrito de telas e o aumento dos transtornos mentais em jovens.

“O vício em celular eleva o risco de suicídio em jovens e está diretamente ligado à baixa autoestima, ansiedade e depressão em adolescentes. O imediatismo e a busca constante por validação nas redes sociais criam um ciclo vicioso de dependência e frustração,” alerta a psiquiatra Danielle Admoni, especialista em infância e adolescência.

A exposição excessiva às telas tem sido associada à exacerbação de sentimentos de vazio e estranheza existencial, pois o indivíduo substitui as experiências humanas essenciais e o afeto real pela satisfação fugaz gerada pela dopamina libertada pelas notificações e scroll incessante.

O Contexto da Digitalização em Angola

Embora Angola ainda enfrente desafios na inclusão digital, com a penetração de internet a rondar os 33%, a rápida expansão da conectividade móvel torna o tema da dependência de celular altamente relevante para a sociedade angolana, especialmente nas grandes cidades como Luanda, onde a utilização é mais intensa.

Comparação e Riscos

Em comparação com a média global de tempo de ecrã (que supera as 6 horas diárias em muitos países), a entrada tardia de Angola no patamar de alta conectividade deve servir de alerta para a implementação de políticas preventivas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF têm sublinhado que a tecnologia deve ser usada como ferramenta de desenvolvimento, e não como fator de risco.

O uso do telemóvel ao volante também aumenta drasticamente o risco de acidentes de viação (em alguns estudos, em até 23%), um problema que é particularmente crítico nas estradas angolanas, onde a sinistralidade rodoviária já é elevada.

A Importância da Educação Digital e do Controlo Parental

A resposta à crescente dependência de celular passa pela ação conjunta de famílias, escolas e autoridades. Os especialistas defendem que a prevenção é o pilar fundamental.

  • Regras Claras: Estabelecer limites de tempo de ecrã, especialmente antes de dormir e durante as refeições.
  • Exemplo Parental: Os pais devem dar o exemplo, controlando o seu próprio uso do telemóvel e não deixando o aparelho substituir a supervisão e o diálogo.
  • Consciencialização Escolar: Incluir o tema da saúde mental e do uso responsável das tecnologias nos currículos escolares e em campanhas de saúde pública.

Conclusão Jornalística

O crescimento da dependência de celular representa um desafio de saúde pública emergente que não pode ser ignorado em Angola. A Nomofobia, com a sua carga de ansiedade e isolamento, exige uma abordagem multissetorial focada na educação e no controlo. A mensagem dos especialistas é clara: é imperativo que a sociedade angolana aprenda a “viver a vida real, mais do que a registar” no telemóvel, transformando este dispositivo de uma fonte de vício para uma ferramenta de progresso e bem-estar. A procura de apoio psicoterápico é recomendada quando a situação já afeta as relações sociais, o trabalho ou os estudos.


FAQ – Perguntas Frequentes sobre a Dependência de Celular (Nomofobia)

1. O que significa Nomofobia? Nomofobia é a abreviatura de “no mobile phone phobia”, que se traduz como o medo irracional e incontrolável de ficar sem o telefone celular ou incontactável.

2. A dependência de celular é um vício real? Sim. Os especialistas em saúde mental classificam-na como uma dependência comportamental, apresentando sintomas semelhantes aos de outras dependências, como ansiedade de abstinência e tolerância (necessidade de usar cada vez mais).

3. Quais são as consequências físicas do uso excessivo? As consequências físicas incluem a Síndrome do Olho Seco (devido à redução do pestanejar), dores cervicais (“pescoço de texto”), má postura e, em casos extremos, maior propensão a acidentes.

4. Como a dependência de celular afeta a saúde mental dos jovens? O uso excessivo está associado ao aumento de transtornos como ansiedade, depressão, estresse, baixa autoestima e, em casos graves, pode elevar o risco de ideação suicida em adolescentes.

5. Qual o papel da dopamina neste vício? A dopamina é um neurotransmissor relacionado ao prazer e à recompensa. As notificações, likes e novas mensagens fornecem doses rápidas de dopamina, incentivando o cérebro a repetir o comportamento de verificar constantemente o dispositivo.

6. Como os pais podem ajudar a prevenir esta dependência? Os pais devem dar o exemplo, limitar o uso de ecrãs antes de dormir e durante as refeições, e monitorizar o uso, mantendo o diálogo aberto sobre os riscos e o valor da interação presencial.

7. Quando se deve procurar ajuda profissional para a Nomofobia? Deve-se procurar um psicólogo ou psiquiatra quando a dependência de celular começa a interferir de forma significativa nas atividades diárias, no desempenho escolar/profissional, nas relações sociais ou quando o indivíduo manifesta sintomas físicos e emocionais graves de abstinência.

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