O Congresso Internacional de Kizomba arrancou esta terça-feira, no município do Icolo e Bengo, em Luanda, e estende-se até quinta-feira no Espaço Aplausos, com o objetivo central de promover a troca de conhecimento, valorizar a expressão cultural africana e impulsionar a dança enquanto arte e movimento global. O evento, que decorre ao longo de três dias, reúne uma vasta comunidade de bailarinos, professores e amantes da Kizomba provenientes de diversos países, numa celebração que visa reforçar a identidade angolana desta dança de salão.
Estrutura e Programação do Evento
O congresso, que se realiza no Espaço Aplausos, no Sequele, Icolo e Bengo, oferece um programa intensivo e diversificado, desenhado para atender tanto profissionais da dança quanto entusiastas.

Workshops e Masterclasses
O evento foca na formação técnica e na partilha de expertise, contando com a presença de especialistas e professores de renome internacional.
- Atividades de Aprendizagem: Estão programados workshops e masterclasses intensivas, permitindo aos participantes aprofundar os seus conhecimentos nas técnicas e variações da Kizomba e do Semba.
- Palestras e Debates: Sessões teóricas são realizadas para abordar a história, a evolução e o papel da Kizomba no panorama cultural global.
Performances e Competições
As noites do congresso são dedicadas à prática social e à celebração do ritmo.
- Noites de Social Dance: Os participantes reúnem-se em sessões de dança social, animadas por DJ’s conceituados, promovendo a interação e a prática dos passos aprendidos.
- Competições e Espetáculos: O programa inclui performances e competições que destacam o talento dos bailarinos presentes e o espetáculo da dança angolana.
Valorização Cultural e Afirmação Global
O Congresso Internacional de Kizomba assume um papel crucial na narrativa da dança, procurando reafirmar as suas raízes em Angola.
Reivindicação da Identidade Angolana
A Kizomba, cujo nome deriva do Kimbundo e significa “festa” ou “folguêdo”, nasceu em Angola nos anos 80, misturando o Semba com influências caribenhas. A sua popularidade global levou ao surgimento de estilos derivados (Urban Kiz e Tarraxinha) e, nalguns casos, à descaracterização da sua essência original.
Segundo promotores e especialistas, a realização de eventos como este em Luanda tem como objetivo “afirmar que a dança Kizomba tem um dono, que é Angola,” e garantir que a sua relevância cultural e as certificações dos instrutores passem pelo seu país de origem.
A Kizomba Enquanto Fenómeno Global
A Kizomba é hoje um fenómeno que se estende pela Europa (incluindo Portugal, França e Leste Europeu), América, Ásia e Austrália, com festivais e escolas de dança em inúmeras grandes cidades. Este crescimento exponencial, impulsionado pela diáspora africana e pela divulgação nas redes sociais, sublinha o potencial da Kizomba como um dos maiores símbolos da cultura angolana no mundo. O turismo cultural associado a esta dança tem sido destacado como um vetor de desenvolvimento económico, envolvendo setores como hotelaria, transportes e gastronomia em Angola.
Expansão Contextual: Património Imaterial
A importância do congresso transcende a dança e toca a esfera do património cultural.
Comparação de Esforços
Tal como outros países que procuram preservar e promover as suas expressões culturais, Angola alinha-se com o esforço de países como Cabo Verde (com a Morna) e o Brasil (com a Capoeira e o Samba de Roda), que obtiveram o reconhecimento da UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
A inclusão da Kizomba na lista da UNESCO é um objetivo de longo prazo que tem motivado o movimento de revitalização e a realização destes encontros internacionais. O reconhecimento garantiria a proteção da sua autenticidade e promoveria um maior investimento na sua preservação.
Conclusão e Impacto Cultural
A realização do Congresso Internacional de Kizomba em Luanda reforça o papel da capital angolana como o berço e o centro nevrálgico desta expressão artística. O evento é um passo fundamental para a consolidação da Kizomba no cenário internacional, não apenas como uma dança de salão popular, mas como um elemento vital da herança cultural africana. Espera-se que a troca de conhecimentos e a certificação dos bailarinos internacionais em Angola contribuam para a uniformização técnica da dança e para o aumento do fluxo de turismo cultural no país.







