Cerca de 1.300 oportunidades de formação especializada foram abertas no Brasil para quadros do sector da saúde em Angola. De acordo com um comunicado da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos, vinculada ao Ministério da Saúde (MINSA), um total de 1.291 vagas foi distribuído entre diversas unidades sanitárias, serviços centrais e provinciais do Serviço Nacional de Saúde. A iniciativa visa fortalecer a capacidade técnica dos profissionais angolanos e garantir a melhoria da assistência médica em todo o território nacional.

Resultados preliminares e processo de selecção
O programa, inserido no projecto nacional “Human Resources Capacity for Universal Health Coverage in Angola” e financiado pelo Banco Mundial, divulgou recentemente os dados iniciais do processo de admissão. Após a distribuição das vagas e a realização dos testes junto das instituições de ensino brasileiras, foram identificados, nesta fase preliminar, 498 candidatos aptos.
Estes profissionais, que buscam as bolsas de estudo no Brasil, já iniciaram os trâmites administrativos necessários para a concretização da formação. Em contrapartida, o relatório aponta 232 indeferimentos. A transparência do processo é assegurada por um sistema electrónico onde cada candidato interage directamente com a instituição formadora.
“O processo decorre de forma transparente, individual e electrónica, em que cada candidato recebe a comunicação institucional por e-mail e contacto telefónico”, destaca o comunicado oficial do MINSA.
O impacto do cancelamento de vagas na UFG
Entre os indeferimentos registados, uma parcela significativa deve-se a questões logísticas de uma das instituições parceiras. A Universidade Federal de Goiás (UFG) indeferiu 144 vagas, o que impactou directamente os cursos de Estatística em Saúde (120 vagas) e Vigilância em Saúde (24 vagas).
O documento esclarece que estas formações específicas não serão realizadas no âmbito do acordo para o ano de 2026. A justificativa apresentada foi o declínio da equipa executora do curso na instituição brasileira. Este revés obriga a uma reestruturação parcial da oferta formativa, embora não comprometa a totalidade do programa de cooperação bilateral.
Próximas etapas para os candidatos aprovados
Para os quase 500 profissionais já considerados aptos, o foco agora volta-se para a burocracia internacional. A Unidade de Implementação do Projecto (UIP–PFRH) aguarda a confirmação oficial final para dar seguimento às fases logísticas.
As etapas subsequentes incluem:
- Tratamento de documentação administrativa;
- Emissão de vistos de estudante junto das autoridades consulares;
- Organização da deslocação para o Brasil.
O Ministério da Saúde de Angola reforça que continua a aguardar os resultados dos demais candidatos que ainda estão sob avaliação. A instituição reitera o seu compromisso com o rigor técnico e a igualdade de oportunidades, elementos fundamentais para que estas bolsas de estudo no Brasil resultem numa melhoria efectiva do Sistema Nacional de Saúde (SNS).
Contexto da cooperação Angola-Brasil na Saúde
A cooperação entre Angola e Brasil no sector da saúde é histórica e estratégica. O Brasil, possuindo um Sistema Único de Saúde (SUS) que serve de referência mundial em diversas áreas, oferece um campo de aprendizado prático e teórico vital para a realidade angolana. A formação de quadros especializados é uma das prioridades do Executivo angolano para reduzir a necessidade de juntas médicas ao exterior e aumentar a resolutividade dos hospitais locais.
Espera-se que, com o regresso destes profissionais, haja uma implementação de novas práticas de gestão hospitalar, epidemiologia e cuidados clínicos especializados nas 18 províncias de Angola.
Conclusão
A disponibilização destas vagas representa um passo significativo na qualificação do capital humano angolano. Apesar do cancelamento pontual das vagas na Universidade Federal de Goiás, o programa segue robusto, com centenas de profissionais já em fase de preparação para a viagem. Especialistas do sector preveem que a inserção destes quadros formados no Brasil, a médio prazo, elevará os índices de cobertura universal de saúde em Angola, alinhando o país com as metas de desenvolvimento sustentável. Resta agora aos candidatos aprovados a preparação para esta jornada académica internacional.







